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Labirinto parado

por Regina da Cruz, em 11.09.16

 

 

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Conversa acabada

por Regina da Cruz, em 11.09.16

 

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Onde andas tu?

por Regina da Cruz, em 08.12.15

Onde andas tu

com quem partilharei tudo o que aprendo?

 

Que me estimularás a ser melhor, a saber mais, coisas novas, diferentes...

Que me ajudarás a ver a vida sob uma perspectiva diferente?

Que me darás a mão e me levarás a descobrir o Mundo.

Ou apenas o mundo, com m pequenino, aquele nos é possível conhecer mas ainda assim, a totalidade do que é possível.

 

Caminharei toda a vida sozinha sem ter com quem dividir esta alegria tranquila que é viver e descobrir, saborear, parar, respirar, olhar, tocar, abraçar, repousar...

 

A ti... a quem mostrarei tudo, o mais belo e o mais feio de mim.

Tu, que o poderás ser em mim.

 

Vermo-nos e não nos julgarmos, só sermos no momento que existe para não existirmos sozinhos. Eu ser para ti e tu para mim. Nus e refastelados pela casa e pela vida.

 

Deveria fazer a minha parte em vez de simplesmente aguardar que o acaso aconteça.

 

 

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O tempo ganho

por Regina da Cruz, em 08.12.15

Quem me dera guardar o tempo só para mim e não sair desta casa

Viver a ler e a investigar.

Há assuntos que me interessam, que me absorvem, tudo que é novo me encanta, descobrir, conhecer, ouvir, aprender.

 

Que vou fazer com tudo o que conheço, que aprendo?

Todas as coisas têm de servir para *alguma coisa*?

Ou aprender poderá ser um fim em si mesmo?

Pelo simples prazer de descobrir o mundo dentro da minha própria casa...

Voltar ao dia-a-dia banal, conviver...gastar o tempo. Perdê-lo para ganhar o sustento, o vil metal que já nem de metal é, e que me permite o luxo da solidão. Trabalho para comprar o meu tempo, o meu isolamento, a descoberta, o mundo todo.

 

 

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viagem à Grécia Antiga, sem sair de casa.

por Regina da Cruz, em 08.12.15

O Minotauro

 

 

 

 

Em Creta

Onde o Minotauro reina

Banhei-me no mar

 

Há uma rápida dança que se dança em frente de um toiro

Na antiquíssima juventude do dia

Nenhuma droga me embriagou me escondeu me protegeu

Só bebi retsina tendo derramado na terra a parte que pertence aos deuses

 

De Creta

Enfeitei-me de flores e mastiguei o amargo vivo das ervas

Para inteiramente acordada comungar a terra

De Creta

Beijei o chão como Ulisses

Caminhei na luz nua

 

Devastada era eu própria como a cidade em ruína

Que ninguém reconstruiu

Mas no sol dos meus pátios vazios

A fúria reina intacta

E penetra comigo no interior do mar

Porque pertenço à raça daqueles que mergulham de olhos abertos

E reconhecem o abismo pedra a pedra anémona a anémona flor a flor

E o mar de Creta por dentro é todo azul

Oferenda incrível de primordial alegria

Onde o sombrio Minotauro navega

 

Pinturas ondas colunas e planícies

Em Creta

Inteiramente acordada atravessei o dia

E caminhei no interior dos palácios veementes e vermelhos

palácios sucessivos e roucos

Onde se ergue o respirar da sussurrada treva

E nos fitam pupilas semi-azuis de penumbra e terror

Imanentes ao dia –

Caminhei no palácio dual de combate e confronto

Onde o Príncipe dos Lírios ergue os seus gestos matinais

 

nenhuma droga me embriagou me escondeu me protegeu

O Dionysos que dança comigo na vaga não se vende em nenhum mercado negro

Mas cresce como flor daqueles cujo ser

Sem cessar se busca e se perde e se desune e se reúne

E esta é a dança do ser

 

Em Creta

Os muros de tijolo da cidade minóica

São feitos com barro amassado com algas

E quando me virei para trás da minha sombra

Vi que era azul o sol que tocava o meu ombro

 

Em Creta onde o Minotauro reina atravessei e vaga

De olhos abertos inteiramente acordada

Sem drogas e sem filtro

Só vinho bebido em frente da solenidade das coisas –

Porque pertenço à raça daqueles que percorrem o labirinto,

Sem jamais perderem o fio de linho da palavra

 

Sophia de Mello Breyner Andressen

 

 

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