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Onde andas tu?

por Regina da Cruz, em 08.12.15

Onde andas tu

com quem partilharei tudo o que aprendo?

 

Que me estimularás a ser melhor, a saber mais, coisas novas, diferentes...

Que me ajudarás a ver a vida sob uma perspectiva diferente?

Que me darás a mão e me levarás a descobrir o Mundo.

Ou apenas o mundo, com m pequenino, aquele nos é possível conhecer mas ainda assim, a totalidade do que é possível.

 

Caminharei toda a vida sozinha sem ter com quem dividir esta alegria tranquila que é viver e descobrir, saborear, parar, respirar, olhar, tocar, abraçar, repousar...

 

A ti... a quem mostrarei tudo, o mais belo e o mais feio de mim.

Tu, que o poderás ser em mim.

 

Vermo-nos e não nos julgarmos, só sermos no momento que existe para não existirmos sozinhos. Eu ser para ti e tu para mim. Nus e refastelados pela casa e pela vida.

 

Deveria fazer a minha parte em vez de simplesmente aguardar que o acaso aconteça.

 

 

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Antepassados ilustríssimos

por Regina da Cruz, em 03.11.13

A generalidade dos portugueses desconhece a sua história. Ou melhor, falando por mim, eu desconheço uma grande parte da história do país onde nasci e onde me sinto em casa. E que forma melhor haverá de começar a religarmo-nos com o nosso passado senão pelas artes? Acalento aquela ideia de que só sairemos desta profunda crise, que é acima de tudo moral e espiritual, se mergulharmos as raízes no passado e daí retirarmos a força de que necessitamos para reconstruir o presente e projectar um futuro, sabendo com clareza que rumo seguir. O Passado português está cheio de episódios e pessoas memoráveis que muito têm para nos ensinar.

 

Há uns dias um bom amigo emprestou-me uns CDs de música clássica, gesto por mim muito apreciado, e para minha surpresa entre eles encontrava-se um que dizia simplesmente "1700 - O século dos portugueses". A capa era sóbria e bonita. Passei os olhos pelo alinhamento, na contracapa, e havia nomes estranhamente portugueses; os apelidos italianos, porém, causaram dúvida e fizeram-me desconfiar do que os meus olhos liam.

"Mas, estes compositores são... portugueses?!"

 

Foi como se por momentos todo um período, todo um século, barroco neste caso, tivesse caído do meu colo e adquirido existência, pela primeira vez, na minha empobrecida mente. "São portugueses de hoje ou são do passado, estes compositores que estão aqui na capa... Não! Não podem ser compositores portugueses originais, senão eu saberia... ou não?" - estava perplexa.


"Devem ser compositores portugueses contemporâneos, de uma orquestra portuguesa, sim, mas a interpretar música barroca de outros países, de compositores estrangeiros. É isso, só pode ser isso!" - tinha por momentos encontrado uma resposta que sossegava o meu cérebro, o qual fervia de inquietação.

 

Inseri o CD no leitor do carro confiante que iria ouvir - apesar de não haver qualquer evidência nesse sentido - composições dos famosos Bach, Handel ou Corelli. Começou a música: pormenorizada, harmoniosa, exuberante, divinal... mas não, não era nada de Bach, nem de Handel nem de Corelli; pelo menos, nada que eu identificasse como tal.

 

"Serão mesmo composições portuguesas?"

 

A música continuava a sair das colunas do auto-rádio e a encantar os meus ouvidos, muito mais receptivos do que a minha consciência - que continuava a desconfiar. O trânsito, esse, flutuava! Pára-arranca-acelera levemente-abranda-pára.Peões em velocidades diferentes pareciam caminhar ao som das notas como se ouvissem e um ciclista cortou o caminho ao mesmo tempo que um oboé. Ah! A sinfonia da vida!

 

"Tenho de ver quem são estes "avondanos"..." - eu ainda não estava convencida.

 

Pois bem, de facto, temos muito do que nos orgulhar; trata-se de compositores portugueses, Pedro António Avondano e Francisco António de Almeida e não ficam nada atrás de outros europeus, com melhor marketing. Após pesquisar os nomes na wiki, fui ao youtube. Coisas maravilhosas pude ouvir!

 

O álbum em questão é este, cuja foto da capa vos deixo juntamente com um link para o poderem ouvir e comprar. Vale bem a pena. Deixo-vos também um vídeo com uma das músicas do pai de Pedro António Avondano, o compositor Pietro Giorgio Avondano interpretadas pela orquestra Divino Sospiro, a qual se encontra no CD.

 

(oiçam aqui o álbum)

 

 

Espero com este post ter despertado a vossa curiosidade para descobrirem e se deliciarem com o passado deste belo país que é Portugal. Não nos falta nada, talvez apenas conhecermo-nos e tomarmos consciência da nossa riqueza e do nosso valor.

 

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Captar o Ser-se humano

por Regina da Cruz, em 26.10.13

Tarkovsky é um realizador excepcional. Os filmes são verdadeiros. As cenas são melancólicas, misteriosas, difusas, sombrias, por vezes perplexificantes e sem aparente sentido. Como um sonho. Como uma longa reflexão que não nos leva a conclusão alguma mas nos inquieta, nos desassossega. Este realizador aventurou-se pela alma humana adentro e encontrou na câmara o canal para comunicar aquilo que viu. E o que viu foi beleza, inquietação e infinitude. Talvez a alma seja feita destas mesmas propriedades.

 

É preciso vagar para ver Tarkovsky e é preciso estar-se numa demanda de respostas para o entender e para apreciar o seu trabalho. É preciso primeiro que tudo, estarmos dispostos a religarmo-nos ao sublime. Não é um realizador do nosso tempo mas é sem dúvida um mestre para o nosso tempo, um tempo que asfixiou a dimensão espiritual do ser humano, com os resultados que se conhecem.

 

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Para sempre

por Regina da Cruz, em 14.10.13

É muito tempo, para sempre. Mal cabe na cabeça uma ideia assim tão grande.

 

Para sempre...

   Para sempre...

       Para

sempre.

 

Como o vento...

Como o tempo...

Como a alma...

 

Nascer e morrer é para sempre porque tudo é uma longa continuidade, a ponto de não se saber muito bem o que é realmente esta coisa adquirida feita de inspirações e expirações, batimentos cardíacos e mil emoções a que chamamos simplisticamente "viver".

Ser concebido significa tão só aflorar neste plano de existência, materializar-se numa forma inteligível, perceptível. E morrer, o que é morrer senão apenas deixar esta forma e voltar a outras, ao mar desconhecido de todas as possibilidades de onde porventura viemos?

No limite, o nosso corpo transforma-se em pó, num pó de terra fértil que alimenta as flores e quando o vento soprar, um grão de nós flutuará em direcção ao céu e pousará, quem sabe, nos cabelos dos que ainda estão por nascer mas já vivem e caminham, em sonhos de futuro e humanidade, na direccção do nosso encontro.

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Daquilo que É mas não tem nome

por Regina da Cruz, em 02.10.13

Lembro-me bem daquele dia em que tive a certeza da existência de uma dimensão espiritual em mim. De sentir com clareza nítida esse meu EU que é mais do que isto que caminha e respira e se alimenta e pensa. Muito mais. Senti a infinitude de mim projectada no horizonte. Não, eu não era apenas essa pessoa biológica nem sequer somente essa pessoa psicológica, porque se fosse apenas e só isso, nesse mesmo dia eu teria sido destruída pela tristeza, dilacerada pela crueldade do real. Poderia ter-me consumido pela dúvida ou pela angústia. Estaria certamente desesperada. Em vez disso, senti paz e consolação. Caminhei pela cidade com a tranquilidade de quem sabe que tudo tem um significado e que devemos aceitar o que nos é oferecido viver, e agradecer. Desfrutei, lembro-me bem, com solenidade esse dia de inverno luminoso de céu azul e frio. Uma sensação quase imperceptível de superioridade e força, que captei pela intuição, como um sussurro doce da existência a dizer-me para olhar para dentro de mim e para além,
para além de mim.

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