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Afinal o que é a Arte?

por Regina da Cruz, em 20.09.15

Há dias ocorreu-me que a Arte seria a verdadeira e única companhia do ser humano. Os grandes clássicos estão sempre presentes quando precisamos deles. A música serve-nos de consolo e de catalisador inúmeras vezes. Quem nunca precisou de ouvir aquela música para soltar as lágrimas e lavar a alma? Uma tela que se pinta com concentração, uma estátua que se esculpe com determinação cuidadosa, uma peça de piano que se compõe e se pratica até à perfeição... O cinema e o teatro, essa arte que nos transporta até novas realidades e nos permite sentir, nos permite saltar para lá de nós mesmos através das personagens e dos argumentos. A emoção de ver um filme com o qual nos identificamos estética e filosoficamente é ímpar! Viver aquele momento único e gratificante em que um livro, uma música, um filme nos dizem algo de revelador e belo que nos leva a gravá-los nas nossas mentes e nas nossas estantes como referências às quais retornaremos várias vezes ao longo da vida.

A Arte estará sempre presente para apaziguar, embelezar, completar o vazio, reconfortar, alegrar. Os amigos vêm e vão, os amores acabam, os animais, por muito que se esforcem alguns humanos em fazê-los passar por gente, permanecem irracionais, os parentes morrem; tudo passa e tudo acaba mas a arte não, a arte está sempre lá, imortal e perene, para nos amparar, para nos consolar e sobretudo para nos retirar da finitude e da mediocridade da nossa existência.

 

 

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Não quero

por Regina da Cruz, em 20.09.15

Não quero que me procurem

Não quero falar

Não quero que me telefonem

Não quero convites

Não quero passeios

Não quero convívios

Não quero contacto.

 

Quero estar só. Sózinha.

 

Ou então quero-te a ti, ó ser improvável, ser que não existe, ou que, existindo, tarda em aparecer em todo o seu esplendor, para me salvar de mim. Quero-te a ti que és diferente e me aceitas, na minha imperfeição e pobreza, e me compreendes, me abraças e não me forças a nada, não me julgas, não me censuras, amas-me e o teu coração bate mais rápido quando me vê. Quero-te só a ti, tu, que serás fiel e seguro, apesar de tudo, de todas as dificuldades. Apenas a ti suportarei e apenas para ti correrei de alma leve e braços abertos. Só tu terás acesso a tudo aquilo que tenho conquistado e guardado carinhosamente para partilhar, o meu mundo, o melhor de mim. Por que tardas? Talvez porque me escondo. Um milagre, só um milagre.

 

Todos os restantes esqueçam-me, como têm feito até hoje.

 

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Captar o Ser-se humano

por Regina da Cruz, em 26.10.13

Tarkovsky é um realizador excepcional. Os filmes são verdadeiros. As cenas são melancólicas, misteriosas, difusas, sombrias, por vezes perplexificantes e sem aparente sentido. Como um sonho. Como uma longa reflexão que não nos leva a conclusão alguma mas nos inquieta, nos desassossega. Este realizador aventurou-se pela alma humana adentro e encontrou na câmara o canal para comunicar aquilo que viu. E o que viu foi beleza, inquietação e infinitude. Talvez a alma seja feita destas mesmas propriedades.

 

É preciso vagar para ver Tarkovsky e é preciso estar-se numa demanda de respostas para o entender e para apreciar o seu trabalho. É preciso primeiro que tudo, estarmos dispostos a religarmo-nos ao sublime. Não é um realizador do nosso tempo mas é sem dúvida um mestre para o nosso tempo, um tempo que asfixiou a dimensão espiritual do ser humano, com os resultados que se conhecem.

 

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Para sempre

por Regina da Cruz, em 14.10.13

É muito tempo, para sempre. Mal cabe na cabeça uma ideia assim tão grande.

 

Para sempre...

   Para sempre...

       Para

sempre.

 

Como o vento...

Como o tempo...

Como a alma...

 

Nascer e morrer é para sempre porque tudo é uma longa continuidade, a ponto de não se saber muito bem o que é realmente esta coisa adquirida feita de inspirações e expirações, batimentos cardíacos e mil emoções a que chamamos simplisticamente "viver".

Ser concebido significa tão só aflorar neste plano de existência, materializar-se numa forma inteligível, perceptível. E morrer, o que é morrer senão apenas deixar esta forma e voltar a outras, ao mar desconhecido de todas as possibilidades de onde porventura viemos?

No limite, o nosso corpo transforma-se em pó, num pó de terra fértil que alimenta as flores e quando o vento soprar, um grão de nós flutuará em direcção ao céu e pousará, quem sabe, nos cabelos dos que ainda estão por nascer mas já vivem e caminham, em sonhos de futuro e humanidade, na direccção do nosso encontro.

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